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Cultura Organizacional

Setembro Amarelo: como engajar colaboradores com ações de saúde mental

O Setembro Amarelo é uma oportunidade real para o RH ir além dos comunicados e criar ações que promovem saúde mental de forma genuína no ambiente de trabalho. Saiba o que é a campanha, por que ela importa para as empresas, quais ações funcionam na prática e quais cuidados são essenciais para que a abordagem seja respeitosa e eficaz.

Setembro Amarelo chegou e, com ele, uma dúvida que todo RH precisa responder com cuidado: como falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio no ambiente de trabalho de uma forma que realmente ajude sem ser superficial, sem expor ninguém e sem transformar um tema delicado em uma campanha de comunicação vazia?

É importante entender que Setembro Amarelo é sobre criar um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para pedir ajuda e onde a empresa tenha estrutura real para oferecer suporte.

O que é o Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é a campanha nacional de prevenção ao suicídio, criada no Brasil em 2015 pelo CVV (Centro de Valorização da Vida), CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria). A escolha do mês acompanha o calendário internacional, já que setembro é o mês em que a OMS (Organização Mundial da Saúde) celebra o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em 10 de setembro.

O objetivo central da campanha é quebrar o tabu em torno do suicídio: ampliar a consciência de que é possível falar sobre o tema, buscar ajuda e apoiar quem está sofrendo. No contexto corporativo, isso se traduz em criar ambientes psicologicamente seguros, onde colaboradores se sintam acolhidos e tenham acesso a suporte de saúde mental.

Por que o tema é relevante para as empresas

A saúde mental dos colaboradores é uma pauta social que impacta diretamente a produtividade, o absenteísmo, o clima organizacional e a retenção de talentos.

Dados do Ministério da Previdência Social mostram crescimento consistente nos afastamentos por transtornos mentais nos últimos 10 anos. Ansiedade e depressão já ocupam as primeiras posições entre os motivos de licença no Brasil, e o ambiente de trabalho é um dos contextos que mais contribuem para o surgimento ou o agravamento dessas condições.

Para o RH, o Setembro Amarelo é uma oportunidade de iniciar ou aprofundar conversas sobre saúde mental que, ao longo do ano, se traduzem em ambientes mais saudáveis, times mais resilientes e colaboradores que se sentem vistos pela empresa.

Entenda as obrigações legais da empresa em relação à saúde mental dos colaboradores e o que precisa ser feito agora.

O que funciona e o que não funciona nas ações de Setembro Amarelo

O que não funciona

Comunicados genéricos sem ação concreta: Mandar um e-mail com o logo do Setembro Amarelo e uma lista de frases motivacionais não cria ambiente de acolhimento.

Abordar o tema de forma alarmista ou sensacionalista: Falar sobre suicídio de forma imprecisa, com linguagem que romantiza ou dramatiza o tema, pode fazer mais mal do que bem. A comunicação precisa ser cuidadosa, baseada em orientações de especialistas em saúde mental.

Ações pontuais sem continuidade: Setembro Amarelo que existe só em setembro comunica que saúde mental importa uma vez por ano. O impacto positivo vem de ações que se sustentam ao longo do tempo com acesso a apoio psicológico, lideranças preparadas e uma cultura que acolhe o tema de forma permanente.

O que funciona

Criar espaços seguros para falar: Rodas de conversa facilitadas por profissional de saúde mental, grupos de apoio ou simplesmente lideranças treinadas para ouvir sem julgamento criam o ambiente que o Setembro Amarelo propõe, onde pedir ajuda é visto como ato de coragem, não de fraqueza.

Comunicar os canais de apoio disponíveis: Muitos colaboradores não sabem que têm acesso a apoio psicológico pelo plano de saúde, pela plataforma de benefícios ou por programas internos. Setembro Amarelo é o momento de comunicar esses recursos de forma clara, repetida e sem burocracia.

Treinar lideranças para identificar sinais de sofrimento: Gestores que sabem reconhecer quando um colaborador está passando por um momento difícil são a primeira linha de suporte em qualquer empresa. Um treinamento básico sobre saúde mental para lideranças têm impacto que vai muito além do mês de setembro.

Dar visibilidade ao tema de forma contínua: Palestras com psicólogos, conteúdos informativos sobre saúde mental, espaços de escuta regular são ações que se repetem ao longo do ano e que constroem uma cultura de cuidado dentro da empresa.

Oferecer oportunidades concretas de cuidado: Comunicar saúde mental sem entregar acesso a um suporte é uma das armadilhas mais comuns do Setembro Amarelo. Para que a campanha tenha impacto positivo, a empresa precisa garantir que o colaborador tem onde ir quando precisar, não apenas saber que o tema é importante.

Ações práticas para o RH implementar em setembro

Semana de saúde mental

Organize uma semana temática com atividades diárias, cada dia com um formato diferente:

  • Segunda: palestra ou roda de conversa com psicólogo sobre ansiedade e estresse no trabalho;
  • Terça: workshop sobre técnicas de autocuidado e gestão emocional;
  • Quarta: comunicação dos canais de apoio disponíveis na empresa;
  • Quinta: atividade de movimento — yoga, alongamento ou caminhada coletiva;
  • Sexta: espaço de agradecimento e reconhecimento entre colegas.

Comunicação dos canais de suporte

Mapeie todos os canais de apoio disponíveis para os colaboradores e comunique de forma clara, em múltiplos formatos:

  • Atendimento psicológico pelo plano de saúde;
  • Telessaúde com psicólogo (quando disponível nos benefícios da empresa);
  • CVV — Centro de Valorização da Vida: 188 (telefone gratuito, 24h);
  • Canal de escuta ou ouvidoria interna;
  • Indicação de aplicativos de saúde mental de acesso gratuito.

Treinamento de lideranças

Um treinamento de duas a três horas com os gestores, conduzido por profissional de saúde mental, cobrindo:

  • Como identificar sinais de sofrimento psíquico nos colaboradores;
  • Como iniciar uma conversa acolhedora sem invadir;
  • O que fazer quando um colaborador revela estar passando por dificuldades;
  • Quais recursos internos e externos estão disponíveis para indicar.

Campanha de comunicação interna cuidadosa

Uma série de comunicados ao longo do mês com linguagem baseada nas diretrizes do CVV para comunicação sobre saúde mental. Pontos importantes:

  • Focar no acolhimento e na busca de ajuda, não nas estatísticas sobre suicídio;
  • Evitar linguagem que romantize ou dramatize o sofrimento;
  • Incluir sempre os canais de apoio disponíveis ao final de cada comunicação;
  • Usar imagem e linguagem inclusiva, que represente diferentes perfis do time.

Ação de bem-estar coletivo

Uma atividade presencial ou remota que promova conexão e cuidado entre os colaboradores,  como um café da manhã temático, uma atividade de gratidão coletiva ou um momento de descontração supervisionado por facilitador.

Cuidados essenciais na abordagem

Siga as diretrizes do CVV para comunicação segura: A forma como se fala sobre suicídio importa. O CVV disponibiliza orientações sobre comunicação responsável que o RH deve seguir ao criar qualquer material ou comunicado sobre o tema. Acesse em cvv.org.br.

Nunca use números e estatísticas de forma isolada: Dados sobre suicídio, sem contexto e sem encaminhamento para canais de apoio, podem fazer mais mal do que bem. Sempre que citar dados, acompanhe com informações sobre onde buscar ajuda.

Crie espaço, não obrigação: Participação em atividades de saúde mental deve ser sempre voluntária. Ninguém deve ser pressionado a compartilhar experiências pessoais ou a participar de dinâmicas que possam gerar desconforto.

Tenha um plano para situações de crise: Antes de iniciar qualquer ação de Setembro Amarelo, o RH e as lideranças precisam saber o que fazer se um colaborador revelar estar em sofrimento agudo. Ter protocolos claros (quem acionar, como conduzir, etc.) é tão importante quanto as ações de comunicação.

Como tornar o Setembro Amarelo parte de algo maior

O risco do Setembro Amarelo é que ele se torne uma ação isolada: intensa em setembro, inexistente no resto do ano. Para que o impacto seja real, as ações precisam ter continuidade.

Algumas formas de transformar o impulso de setembro em cultura permanente:

  • Manter o treinamento de lideranças em saúde mental no calendário anual;
  • Garantir acesso contínuo a apoio psicológico pelos benefícios da empresa;
  • Incluir perguntas sobre saúde mental e bem-estar nas pesquisas de clima regulares;
  • Criar um canal permanente de escuta e suporte psicológico interno;
  • Celebrar e normalizar o autocuidado ao longo do ano — não só em setembro.

Veja como o presenteísmo silencioso pode ser sinal de sofrimento não identificado e como reduzir esse custo invisível na empresa.

Conclusão

Setembro Amarelo é uma oportunidade, mas o que ela gera para os colaboradores depende inteiramente de como é aproveitada.

Ações bem planejadas, com linguagem cuidadosa, canais de apoio reais e lideranças preparadas para acolher, criam algo que vai além de setembro: um ambiente onde as pessoas se sentem seguras para pedir ajuda quando precisam e a empresa tem estrutura para oferecer esse suporte.

FAQ

O que é o Setembro Amarelo?

É a campanha nacional de prevenção ao suicídio, realizada desde 2015 pelo CVV, CFM e ABP. O mês foi escolhido por coincidir com o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, em 10 de setembro, data estabelecida pela OMS.

Como o RH pode falar sobre suicídio de forma segura?

Seguindo as diretrizes de comunicação responsável do CVV (cvv.org.br), que orientam sobre linguagem adequada, o que evitar e como incluir sempre os canais de apoio disponíveis. Comunicação sobre o tema deve focar no acolhimento e na busca de ajuda, não em estatísticas ou descrições detalhadas.

O CVV atende colaboradores em crise?

Sim. O CVV oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, 7 dias por semana, para qualquer pessoa que esteja passando por sofrimento emocional ou em crise.

Quais ações de Setembro Amarelo têm mais impacto no ambiente corporativo?

Treinamento de lideranças para identificar sinais de sofrimento, comunicação clara dos canais de apoio disponíveis e criação de espaços seguros para conversas sobre saúde mental são as ações com maior impacto, especialmente quando têm continuidade além de setembro.

Como garantir que as ações de Setembro Amarelo tenham continuidade ao longo do ano?

Incluindo saúde mental no calendário de RH de forma permanente com pesquisas de clima que abordam bem-estar, lideranças treinadas periodicamente, acesso contínuo a apoio psicológico pelos benefícios e comunicação regular sobre os canais disponíveis.

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