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Absenteísmo: o que é, principais causas e como reduzir na empresa

Absenteísmo é sintoma de irregularidades dentro de uma empresa. Saiba o que é, como calcular a taxa com exemplo prático, as principais causas e ações concretas para reduzir de forma sustentável.

Quando as ausências começam a se tornar um padrão em um departamento ou mesmo em toda a empresa, o RH precisa parar e olhar com atenção, já que isso pode ser um sintoma de alguma irregularidade na companhia.

Por trás de cada ausência recorrente, costuma haver uma causa que, se não endereçada, vai continuar gerando impacto na produtividade, custo operacional e, principalmente, na experiência de cada colaborador.

Entender o absenteísmo é o primeiro passo para transformar o clima organizacional e cuidar de quem faz a empresa crescer. Vamos entender melhor esse conceito, suas causas e como reduzir a seguir.

O que é absenteísmo

Absenteísmo é o conjunto de ausências, previstas ou não, de um colaborador ao trabalho durante um período. Inclui faltas justificadas ou injustificadas, atrasos recorrentes, saídas antecipadas e afastamentos por motivos de saúde.

O termo vem do latim absens (aquele que está ausente) e é usado no contexto de RH para descrever não apenas a ausência pontual, mas o padrão de faltas que compromete a continuidade da operação e indica algum tipo de problema subjacente.

É importante diferenciar o absenteísmo de ausências legais previstas, como férias, licença-maternidade ou licença paternidade, que fazem parte da relação de trabalho e não entram no cálculo do indicador.

Tipos de absenteísmo

Absenteísmo por doença: Envolve faltas decorrentes de problemas de saúde física ou mental, com ou sem atestado médico. Quando recorrente, pode indicar condições de trabalho inadequadas, sobrecarga ou adoecimento ocupacional.

Absenteísmo por motivos pessoais e familiares: Ausências relacionadas a situações da vida pessoal do colaborador, como problemas com filhos, compromissos inadiáveis, questões familiares. Em alguns casos, a recorrência indica dificuldade de conciliar trabalho e vida pessoal por falta de flexibilidade.

Absenteísmo por desmotivação: Talvez o mais delicado de identificar e um dos mais custosos. O colaborador falta não por doença ou compromisso pessoal, mas por desengajamento, insatisfação com o ambiente ou com a liderança.

Absenteísmo compulsório: Ausências geradas por determinação externa, como suspensões disciplinares, licenças obrigatórias por afastamento previdenciário ou cumprimento de obrigações legais.

Como calcular a taxa de absenteísmo

A taxa de absenteísmo é o indicador que quantifica o impacto das ausências na operação. A fórmula mais usada é:

Taxa de absenteísmo (%) = (Dias de ausência ÷ Dias de trabalho disponíveis) × 100

Exemplo prático: Uma empresa com 50 colaboradores, em um mês de 22 dias úteis, registrou 110 dias de ausência no total.

  • Dias disponíveis: 50 × 22 = 1.100
  • Taxa de absenteísmo: (110 ÷ 1.100) × 100 = 10%

O ideal é acompanhar a taxa por área, por período e por tipo de ausência para identificar padrões e priorizar ações onde o impacto é maior.

Quanto custa para a empresa

O absenteísmo traz um custo invisível para as empresas e impacta diretamente os colaboradores: no Brasil, custa cerca de 6% da folha de pagamento e varia de 5% a 10% dependendo do setor.

Além disso, o país enfrenta um recorde de afastamentos pelo INSS com a saúde mental liderando as altas, somando mais de 540 mil em 2025. Ansiedade, depressão e burnout são as principais causas. Para ajudar a combater essa crescente, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) exige a gestão de riscos psicossociais e que as empresas garantam ambientes seguros contra assédio, metas abusivas e sobrecarga. Saiba mais aqui.

Qual é a taxa de absenteísmo aceitável

Não existe um número universal, mas como referência geral, taxas abaixo de 3% a 4% são consideradas dentro de um patamar saudável para a maioria dos setores. Acima disso, é sinal de atenção, e acima de 6% a 8% já indica um problema estrutural que precisa ser endereçado.

Vale comparar a taxa da empresa com benchmarks do setor, já que setores com maior exigência física ou emocional (como saúde, varejo e atendimento) tendem a ter taxas naturalmente mais altas.

Principais causas do absenteísmo

Problemas de saúde física: Doenças, lesões, condições crônicas e problemas ergonômicos são causas diretas de afastamento. Ambientes de trabalho que não investem em ergonomia, saúde preventiva e condições adequadas tendem a ter taxas maiores de absenteísmo por saúde física.

Saúde mental comprometida: Ansiedade, depressão, e estresse ocupacional são hoje as causas que mais crescem no absenteísmo. O aumento dos afastamentos por transtornos mentais nos últimos anos é um reflexo direto de ambientes de trabalho que negligenciaram o bem-estar psicológico dos colaboradores.

Entenda as obrigações legais da empresa em relação à saúde mental: NR-1: o que precisa ser feito agora — checklist completo para o RH

Liderança e clima organizacional: Gestores que geram pressão excessiva, comunicam mal ou criam ambientes de medo e tensão são um dos fatores mais subestimados no absenteísmo. Colaboradores que se sentem mal gerenciados adoecem mais, faltam mais e saem mais rápido.

Desengajamento e falta de pertencimento: Quando o colaborador não se sente parte da empresa, não tem clareza sobre seu papel ou não vê valor no que faz, a motivação para ir ao trabalho cai e as ausências aumentam. O absenteísmo por desmotivação é um dos mais difíceis de identificar, mas um dos mais responsivos às ações certas de engajamento.

Falta de flexibilidade: Modelos de trabalho rígidos que não contemplam as necessidades da vida real forçam o colaborador a escolher entre trabalho e vida. Quando não há saída, a falta se torna a única opção disponível.

Condições inadequadas de trabalho: Ambientes físicos insalubres, equipamentos inadequados, ruído excessivo ou falta de estrutura para home office geram desconforto que, acumulado, resulta em mais afastamentos.

Absenteísmo vs. presenteísmo: dois lados do mesmo problema

Absenteísmo e presenteísmo são fenômenos distintos, mas ambos impactam a produtividade e o clima organizacional de formas diferentes.

Enquanto o absenteísmo é a ausência física, visível e registrável, o presenteísmo é a presença sem entrega: o colaborador está ali, mas opera com capacidade reduzida por saúde comprometida, estresse ou desengajamento.

Os dois costumam ter causas em comum: quando o absenteísmo começa a cair sem que as causas sejam tratadas, muitas vezes o que acontece é uma migração para o presenteísmo: o colaborador para de faltar, mas continua sem condições de entregar plenamente.

Entenda melhor esse fenômeno e qual é a diferença entre absenteísmo e presenteísmo aqui.

Como reduzir o absenteísmo na empresa

Identifique as causas antes de agir

Reduzir absenteísmo sem entender o que o causa é como tratar sintoma sem diagnosticar a doença. Pesquisas de clima, entrevistas com colaboradores e análise de dados de RH são os instrumentos mais eficazes para esse diagnóstico.

Invista em saúde preventiva

Programas de saúde preventiva como exames periódicos, campanhas de vacinação, acesso facilitado a consultas e apoio à saúde mental reduzem a incidência de problemas de saúde antes que eles virem afastamentos.

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Desenvolva lideranças

Líderes que sabem ouvir, distribuir trabalho de forma equilibrada e criar ambientes psicologicamente seguros reduzem significativamente o absenteísmo nas suas equipes. Investir em desenvolvimento de liderança é uma das ações com maior retorno na redução de faltas por desmotivação e saúde mental.

Ofereça flexibilidade real

Horários flexíveis, possibilidade de trabalho remoto e políticas que reconhecem a vida fora do trabalho reduzem o absenteísmo por motivos pessoais e melhoram a percepção do colaborador sobre a empresa.

Construa uma cultura de cuidado

Ambientes onde as pessoas se sentem valorizadas, pertencentes e apoiadas tendem a ter menos faltas. Programas de reconhecimento, comunicação transparente e gestão de benefícios que respeita as necessidades individuais são parte dessa construção.

Monitore e acompanhe de perto

O absenteísmo precisa ser monitorado de forma contínua, não apenas quando a situação já está crítica. Acompanhar a taxa por área e período, com análises periódicas, permite identificar tendências e agir preventivamente.

Quando o absenteísmo exige atenção imediata

Alguns sinais indicam que o problema já é urgente:

  • Taxa de absenteísmo acima de 6% de forma consistente;
  • Concentração de faltas em uma área ou equipe específica;
  • Aumento expressivo de afastamentos por transtornos mentais;
  • Padrão de faltas às segundas-feiras ou às vésperas de feriados;
  • Alta rotatividade acompanhada de absenteísmo elevado.

Onde o absenteísmo impacta a empresa

Operação: ausências imprevistas geram sobrecarga para quem fica, afetam prazos e reduzem a qualidade das entregas.

Custo: além do custo direto das ausências com cobertura e horas extras, há o custo indireto do impacto no clima e na produtividade do time.

Clima organizacional: equipes com absenteísmo alto tendem a ter clima mais pesado, com sobrecarga distribuída de forma desigual e tensão crescente entre os que faltam e os que cobrem.

Retenção de talentos: absenteísmo elevado é frequentemente um sinal de que colaboradores estão próximos do pedido de demissão. Endereçar as causas pode evitar perdas de talentos que ainda não chegaram ao desligamento.

Conclusão

Quando as ausências se tornam padrão, a empresa precisa olhar para o que está gerando esse comportamento: saúde, liderança, clima, engajamento, flexibilidade.

As ações que mais reduzem o absenteísmo de forma sustentável não são as que punem a falta, mas as que removem os motivos que levam as pessoas a faltar. Saúde preventiva, liderança de qualidade, flexibilidade e uma cultura de cuidado genuíno são investimentos que aparecem nos números e que transformam o ambiente de trabalho.

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FAQ

O que é absenteísmo?

É o padrão de ausências de colaboradores no trabalho com faltas, atrasos recorrentes, saídas antecipadas e afastamentos. Quando frequente, é um indicador de que algo na experiência do colaborador ou nas condições de trabalho precisa ser revisto.

Como calcular a taxa de absenteísmo?

Divida o total de dias de ausência pelo total de dias de trabalho disponíveis no período e multiplique por 100. Exemplo: 110 dias de ausência ÷ 1.100 dias disponíveis × 100 = taxa de 10%.

Quais são as principais causas do absenteísmo?

As mais comuns são: problemas de saúde física e mental, liderança inadequada, desengajamento, falta de flexibilidade e condições inadequadas de trabalho. Na maioria dos casos, mais de uma causa está presente simultaneamente.

Como reduzir o absenteísmo?

Identificando as causas antes de agir, investindo em saúde preventiva, desenvolvendo lideranças, oferecendo flexibilidade e construindo uma cultura de cuidado com as pessoas. Ações punitivas reduzem o número de faltas no curto prazo, mas não resolvem o problema de fundo.

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